11 de setembro de 2017

Uma história dessas que a avó conta



Li um texto de um cara agora e não vou citar porque me esqueci o nome dele, mas lendo o texto dele, lembrei de uma história dessas de vó, sabe? Essas histórias que elas contam naquele tom de quem: "sei lá de quem, em algum lugar muito longe daqui"? Pois bem, o texto do cara, não conta uma história em si, mas eu quero contar essa. E a história que eu ouvi tem a ver mais ou menos com essa história da garota que ia se casar, que fez o enxoval todo bordado com as iniciais dela e do noivo, eles iam morar numa casinha bonitinha e ela tinha um vestido magnífico, daqueles de "esbugalhá o zóio" de tão bonito, e ela bordou o vestido com carinho, e namorava na sala debaixo das vistas da mãe que ficava costurando, e das vistas pai que lia no jornal da cidade coisas corriqueiras como: "O Seu Joaquim da padaria está aumentando a padaria e agora vai servir lanche na pracinha também". E a moça levava a vida, com seu namoro pacato, sonhando com casinha bonitinha e uma horta. Um dia, chegou o grande dia! E a moça, feliz, se arrumou, sua mãe prendeu seus cabelos pra cima e ela ganhou uma maquiagem da madrinha! Ela estava uma coisa muito fina de se ver! E ela só pensava se o seu noivo também estava tão nervoso quanto ela, e na imaginação dela, ele dizia: "você é a minha razão pra sorrir". Na hora marcada ela foi pra igreja, ali começaria sua vida com o homem que ela amava, filho de fazendeiro, tinha jaqueta moderna, tinha estudado fora, tinha tudo que queria. Tudo bem, as vezes ele era mal humorado, ciumento, um pouco bruto, um pouco infantil, mas valia a pena, ele ficaria mais manso depois do casamento, disse à moça uma amiga dela que já era casada. Quando ela por fim entrou na pequena igrejinha decorada com margaridas e pequenos botões de rosa amarela, ela não viu olhares de comoção, não eram as mesmas comadres do casamento da sua prima? As pessoas não a estavam olhando com admiração.

"-Ô mãe, cadê a marcha nupcial?"

Não demorou nada nada pra moça perceber o que faltava.

"-Mas a gente chegou cedo não é? Meu noivo nem está no altar!"

As cenas seguintes do que deveria ser a celebração das bodas, foram cenas tristes de se ver. A mãe do noivo, cheia de dó, pegou na mão da moça e avisou que não ia ter casamento.

"-Eu sinto muito!"

A moça sorriu confusa, olhou ao redor, ficou séria, se soltou das mãos da sogra e saiu correndo. De rasgar o coração não é mesmo? A moça correu até em casa, foi até a cristaleira onde pegou uma tesoura, arrancou o vestido, e aos prantos, tentou deixá- lo igual ao seu coração. Quando os pais da moça chegaram, ela já tinha despedaçado cada pedaço de pano do seu enxoval. A mãe da moça a segurou firme e disse:

"-Minha filha! Pare com isso! Você não merece isso! Ele não te merece!"

Aquela mãe segurou aquela filha durante um bom tempo. As notícias que vieram depois de muito muito muito tempo, é que ela fora estudar na capital, que voltara pra pequena cidade, onde conheceu um bom moço, e se casou, diziam que ele tratava com muito amor. Se foram felizes pra sempre, isso eu já não sei dizer. O moço, o noivo, segundo as comadres, teve uma vida infeliz e insatisfeita.

Mas será mesmo? Será que ele foi mesmo infeliz? Será que ele foi mau? Ou esse era o desejo das pessoas? Como a pessoa que escreve o texto, eu não gostaria de manipular uma opinião, mas será que ele não fez a coisa certa de um jeito errado? A nossa personalidade tem mesmo a ver com as decisões que tomamos? Talvez aquele noivo não amasse sua noiva. E olha, ter alguém que pretende casar com você, sem amor, é quase o mesmo que mastigar uma pinha, é desagradável, doloroso e degradante, é algo que nos rebaixa. E bom, depois de respirar fundo e se recuperar da perda e da vergonha, você sabe que foi a coisa certa. Você sabe que recebeu uma chance, você sabe que deu a chance pra outra pessoa ser feliz. As vezes, como no caso da moça da história, as pessoas estão apenas procurando a felicidade e a realização, e calha de encontrarmos alguém que parece (só pareceee), ter a mesma vontade. E quem de nós não sonhou com seu príncipe, com sua princesa? Quem de nós já não errou fazendo más escolhas? Quem de nós nunca desceu as escadas do rancor? E por fim, quem de nós não trás consigo uma história dolorosa e inesquecível? É difícil confiar em alguém depois que somos abandonados nos "altares" da vida, e ninguém disse que seria fácil se abrir para um novo amor, um novo começo, sem reservas. Mas nós tentamos, começamos dando pequenos passos, aumentamos o ritmo, e quando menos esperamos, estamos fazendo um caminho de volta para o amor. E não é por isso que ansiamos? As três palavras que todos desejamos ouvir no final de um dia: eu te amo. Mas principalmente, vindo de alguém que realmente sente que pode compartilhar uma vida conosco. Alguém que não apenas nos respeite, mas que nos permita ser fundamentais. Não precisamos, (pelo menos a maioria saudável de nós), de alguém que seja um apoio, uma bengala. Precisamos apenas que precisem de nós e do amor que podemos oferecer, sem julgamentos, sem querer nos modificar. Alguém que nos veja como ideal, mesmo tendo defeitos, fraquezas. Alguém que não veja apenas um corpo, mas uma alma pronta pra ser compartilhada. A moral da história? Acho que todos nós já sabemos, o amor pode vir de todo lugar, mas não de qualquer lugar. E eu desejo que seja qual for a decisão de vocês, que vocês sempre sempre sempre, "façam amor"...
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